A mudança da educação a partir da pessoa...
Reflexão pessoal a partir de cinco palavras chave: motivação, coerência, sujeito, cooperação, referência.
Ver a escola na perspectiva da pessoa é um desafio nem sempre fácil. Envolve uma auto-análise das nossas condutas no âmbito do relacionamento com o outro na escola. Olhar para um espelho e assumir a nossa cara nem sempre é fácil. Numa instituição educacional será mais difícil ainda, pois temos à nossa frente, idéias-subliminares pré-concebidas, corporativismos, inércias pessoais e coletivas, baixa auto-estima e falta de estímulo. Tudo isso dificulta a visão da nossa imagem no espelho por inteiro e mais importante que assumamos que quem está ali no espelho somos nós, que a responsabilidade por “aquilo” que estamos vendo é nossa e que terá reflexos para outros.
Essa dificuldade de auto-análise das práticas, conduz a que não tínhamos a consciência da nossa participação no estado atual e/ou no nosso papel na mudança necessária, com evidentes conseqüências para a motivação pessoal e coletiva. Se estamos certos que a culpa é dos outros, como é que vamos nos mover para a mudança?
Esse processo de motivação para a mudança, passa pela alteração, não só, da relação de cada um com o seu “sujeito”, pessoal mas também pela mudança das interações sociais na escola e da escola com a comunidade, no caminho para uma relação harmoniosa entre parceiros iguais.
O diálogo de todos os intervenientes no processo de ensino aprendizagem, consigo mesmo e entre si, proporcionará a construção de um caminho de coerência entre o que a escola diz e faz na prática e será o alicerce da cooperação e confiança essenciais a qualquer processo de mudança.
Não poderemos esquecer que o processo de afirmação da escola e de mudança da educação passa pela referência que ela constitui para a sociedade e que a sociedade tem dela.
Texto elaborado por João José Saraiva da Fonseca
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 12h15
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Será que a melhor formação do professor é a que decorre na universidade?
Partindo do principio que o professor deve aprender de acordo com os mesmos princípios que deverá aplicar na sua atuação (referência expressa pelo ministério da educação na legislação da formação docentes) e que os professores em breve deverão para exercer passar obrigatoriamente pela formação a nível superior, é óbvio que qualquer mudança na escola deve passar pela mudança nas propostas didáticas e metodológicas do ensino superior. Mas o quadro que se passa no ensino superior é a compartimentação fabril e o isolamento dos professores e departamentos quantas vezes em guerras políticas e de poder.
Certamente que não é este o exemplo que se deseja para os futuros professores. Então será que é positivo obrigar os professores a terem formação universitária? Será que os conteúdos de formação só poderão ser ministrados? Será que a universidade está suficientemente próxima da realidade da escola e dos seus alunos, para poder fazer a interligação necessária entre a teoria e a prática?
João José Saraiva da Fonseca
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 21h03
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O ego e o super ego do professor
A sociedade e a educação têm uma interdependência direta, influenciando-se mutuamente.
As transformações sociais (muitas vezes ditadas por exigências de âmbito econômico) e acompanhadas ou suportadas pela tecnologias têm influenciado a educação.
A sociedade industrial ditou a necessidade de massificação da educação de modo a que na fábrica não faltasse a mão de obra adequadamente moldada para trabalhar na linha de produção da fábrica, num trabalho de rotina e de obediência interrompido regularmente pelo som da sirene.
Com o tempo outros instrumentos de modelagem social foram surgindo, de que se realça os mídia.
Através da educação e dos mídia, a quem a família entrega crescente os filhos a sociedade garantia uma pacífica transmissão de gerações.
Com o tempo a economia transformou-se e do trabalho mecanizado e repetitivo que não exigia grandes competências acadêmicas, passou-se a um trabalho que recorre a novas tecnologias da informação e comunicação exigindo crescentes conhecimentos desta vez não só acadêmicos, mas também no âmbito das atitudes e valores.
Se a estrutura industrial tinha como “parceiros” na vida social o estado-nação centralizado, a crescente evasão das propostas neo-liberais que marcam o pós-modernismo conduzem à dissolução das “nações” e à descentralização das estruturas de poder.
A educação segue as mesmas influências e de uma estrutura centralizada no ministério da educação a escola adquire autonomia de gestão, financeira e curricular.
Contudo a escola ainda não hoje está enraizada em práticas de gestão que não têm permitido assuma a autonomia que a lei já lhe atribui.
Uma das possibilidades que a escola conseguiu através do processo de descentralização, foi a possibilidade de participação da família na gestão da escola e nas atividades letivas. O que se passa é que a escola limita a participação da família à retificação do que a ela propõe e não escuta verdadeiramente a sua opinião quer ao nível da gestão, quer ao nível da prática de sala de aula onde continua a esquecer os alunos e a manter práticas que satisfazem o ego do professor, mas que em nada tem a ver com a realidade dos alunos e a sua família.
No fundo o ego e o superego dos professores estão bem presentes do dia a dia do professor. O ego concretiza práticas tradicionais e o superego papagueia discursos bonitos de mudança mas sem concretização prática.
Existem mudanças e esperanças. Claro que existem. Contudo o investimento que está a ser feito não terá efeito se não resultar na aposta na qualidade. O que se assiste na prática é que o esforço com a educação dos alunos tem ficado bem distante da qualidade e sido motivo de alegria para corruptos. Os resultados estão aí e infelizmente não têm melhora. Na formação de professores a situações é idêntica. Na tentativa de melhorar a qualidade dos professores, aligeira-se a formação de professores numa situação de gritante incompetência institucional de gestão dos recursos e da educação enquanto patrimônio global.
João José Saraiva da Fonseca
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 20h34
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Quem são os beneficiários da educação?
O aluno é o beneficiário/produto imediato da educação e o mais importante. Ele é o receptor ativo que beneficiará, qualitativamente, com todo o movimento para melhorar a qualidade da educação. Ao longo de sua passagem pela escola, o aluno vai se desenvolvendo, para se converter em um egresso que participará, de maneira ativa, em outra escola de nível educativo subseqüente, no mercado de trabalho e na sociedade. Por tal motivo, a educação não se pode limitar a proporcionar ao aluno somente aquilo que lhe sirva para a etapa do processo de desenvolvimento pessoal pelo qual ele está passando, mas, também, deve oferecer os elementos que lhe permitirão desenvolver-se, de forma adequada, em um mundo futuro o qual devemos poder antecipar.
O aluno requer da escola serviços que lhe permitam desenvolver-se como pessoa, ir aprendendo de acordo com suas capacidades, desenvolvendo seu potencial, fortalecendo sua auto-estima, manifestando os valores adquiridos em sua vida cotidiana, demonstrando a si mesmo sua capacidade crítica e criativa. Mas também requer que esses serviços lhe sejam úteis para sua vida adulta.
Os pais de alunos também são beneficiários do trabalho realizado pela escola. Os pais contribuem de forma diversa e com diferente intensidade para que o processo educativo renda os frutos que eles esperam das escolas. Deles depende, em grande parte, que os alunos assistam às aulas, cheguem pontualmente, contem com o necessário para poder aprender e recebam o apoio extra-escolar indispensável para a realização adequada dos objetivos educativos. Por outro lado, são os pais que exercem a demanda sobre a escola e os que, em determinadas ocasiões, exigem das autoridades o seu funcionamento adequado. E, talvez, o mais importante seja o fato de que os pais compartilhem com a escola a função de formar as crianças.
De maneira mais ampla, a sociedade é também beneficiada pelo sistema educacional. O aluno de hoje se desenvolverá social, econômica, cultural e politicamente numa sociedade onde será cidadão e trabalhador. O aluno será o motivador da transformação do mundo...
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 15h20
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