Pensar a Sociedade da Informação (VI)
Derrick de Kerkhove
Inteligência conectiva: O papel das redes na Sociedade do Conhecimento
Fala-se em ciber-democracia como uma renovação dos princípios da democracia. Poder para o povo. Refere-se normalmente de forma optimista a possibilidade do cidadão participar no processo político e essa possibilidade aí está, pelo menos para alguns. No entanto, se queremos entender verdadeiramente a democracia, temos que saber de onde veio e ela foi uma consequência política da invenção do alfabeto e da sua expansão posterior, com a imprensa. Ambas colocam a linguagem sob o controlo dos cidadãos privados. Os Gregos Antigos, com Platão, inventaram A República, o domínio público, como forma de garantia da propriedade privada, direitos iguais e liberdades civis, tudo codificado num sistema legal tão justo quanto possível. Mesmo assim, foram precisos séculos para separar Igreja e Estado.
Actualmente, a linguagem e o poder são reprocessados pela electricidade, à velocidade da luz. Os velhos ideais e modelos da democracia resistem ao assalto e fornecem-nos ainda metáforas de conduta social. Mas a ciber-democracia não se encontra ainda madura. Para onde está a ir? Pretendo explorar os efeitos da electricidade e da digitalização na governação. Pretendo questionar se precisamos mesmo de governos, se tal não passa de um luxo para aqueles países que afundam todos os seus rendimentos nos bolsos de alguns. Pretendo também abordar a simetria do poder e a transparência entre os que governam e os que são governados. Existe uma grande barreira política entre, por um lado, aqueles que podem usar correio electrónico, surfar na Internet, publicar blogs na Web e exprimir as respectivas opiniões, e, por outro, os que não sabem sequer o significado das palavras. Pretendo examinar se a democracia, tal como ela é interpretada pela actual Administração dos Estados Unidos da América, tem ainda significado e se pode ser forçosamente exportada para culturas que nunca a praticaram. Finalmente, pretendo identificar quais são as novas responsabilidades do ciber-cidadão.
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 11h11
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Pensar a Sociedade da Informação (V)
Marty Wagner
Implementing Electronic Government in the United States: Lessons Learned by the Federal Government
O Governo federal Norte-Americano envidou um esforço substancial na implementação do governo electrónico, com uma estratégia que envolve a reorganização da prestação de serviços em torno do cidadão, a utilização da Internet e a adopção de serviços comerciais. Apesar das dificuldades orçamentais, surge como crítica a melhoria da qualidade de serviço, no âmbito de uma estratégia que envolve muito mais do que apenas tecnologia: A abordagem tem que passar a ser a do Governo como uma empresa e a unificação e simplificação da prestação de serviços.
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 11h10
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Pensar a Sociedade da Informação (IV)
Ted Becker
The Global Deliberative Democracy Movement:A Progress Report on Experiments and Networks
O meu objectivo consiste na demonstração do desenvolvimento acelerado e verdadeiramente global, que se desenrola neste momento, no sentido da transformação da democracia representativa numa forma que confere aos cidadãos, de forma mais directa, poder para planear, priorizar e tomar decisões políticas e constitucionais a todos os níveis da governação. No actual momento desta emergência, parece adequado referirmo-nos a este sistema transformado como “democracia deliberativa”. Apesar de muitas experiências e projectos inseridos neste movimento consistirem em reuniões de cidadãos, as novas TIC (a) são utilizadas frequentemente para melhorar e acelerar os consensos nessas reuniões; (b) aumentam-nas em âmbito, transformando-as em regionais, nacionais e globais; e (c) ajudam a ligar e a potenciar sinergias entre muitos projectos díspares e isolados, transformando-os num movimento global coerente. Um conhecimento mais aprofundado deste movimento pode auxiliar Portugal na adaptação de algumas das técnicas e tecnologias para a sua própria cultura política.
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 11h10
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Pensar a Sociedade da Informação (III)
James S. Fishkin
Building Deliberative Democracy: New Ways to Consult the Public
O problema central e permanente da reforma das democracias tem sido a criação de instituições que cumpram duas aspirações democráticas fundamentais: a inclusão e a reflexão . Necessitamos, por um lado, de instituições que representem ou incluam, de alguma forma, todos os membros de uma comunidade. E precisamos, por outro lado, de consultar esses membros sob condições que lhes permitam estar efectivamente motivados para reflectirem acerca do poder que se lhes pede que exerçam. Em todo o mundo, as reformas das democracias estão a conferir poder aos povos através de instituições que se centram crescentemente na inclusão. No entanto, as mesmas condições que permitem mais inclusão parecem ser as mesmas que bloqueiam a reflexão colectiva. Mas este mecanismo de balanceamento não é inevitável. Deve-se, isso sim, à pobreza da imaginação institucional que conduziu a maioria das reformas das democracias. Esta intervenção pretende expandir o conjunto das ferramentas democráticas ao serviço da consulta pública. Tem por objectivo mostrar que é possível, de facto, combinar inclusão e reflexão, ao invés da escolha forçada entre uma das duas.
O discurso centrar-se-á, num primeiro momento, na diversidade de métodos disponíveis para a realização de consultas públicas. Centrar-se-á depois num método, a Sondagem Deliberativa, que resolve o dilema básico referido acima, oferecendo várias possibilidades práticas, quer em contextos online quer presenciais, de consulta de amostras representativas de todo o público, sob condições em que os indivíduos possam informar-se e reflectir acerca das políticas e dos assuntos em questão. Referir-se-ão vários projectos de Sondagem Deliberativa conduzidos pelo autor e pelos seus colaboradores em vários países do mundo, quer online quer em presença. Poderá encontrar-se informação adicional sobre Sondagem Deliberativa em http://cdd.stanford.edu
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 11h09
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Pensar a Sociedade da Informação (II)
Cees J. Hamelink
Towards the Information Society: Whatever happened to communication?
Nos actuais debates – quer em política quer na imprensa – a expressão mais recorrente é sociedade de informação. Pode questionar-se, no entanto, se se deverá colocar ênfase nos desenvolvimentos conducentes às sociedades da informação ou do conhecimento. Precisarão as modernas sociedades de mais transferência de informação, de mais armazenamento de informação, de mais distribuição de conhecimento? Estaremos a prestar pouca atenção à noção da comunicação como um processo interactivo de diálogo pessoal e público? O que implicaria a mudança de “transferência de mensagens” para “interacção dialogante”? Será que deveremos promover e desenvolver “sociedades de comunicação” em todo o mundo?
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 11h09
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Pensar a Sociedade da Informação (I)
Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Portugal) vai levar a efeito um conjunto de conferências dedicadas a "Pensar a Sociedade da Informação".
O que é a Sociedade da Informação hoje, o que será no futuro, que alterações trouxe e trará às nossas vidas, que caminhos estão por percorrer, que influências podemos esperar?
O conceito de Sociedade da Informação é relativamente recente, muito havendo ainda a reflectir e a analisar no que toca à sua implantação e à sua evolução. Não há no entanto muitas dúvidas do seu impacto a nível global e da sua influência transversal em todos os grupos sociais, profissionais e em todas as actividades económicas.
Apresentação algumas das idéias principais a apresentar pelos convidados.
Mais informações: http://www.apdsi.pt/Ciclo2005/index.htm
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 11h07
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