Pedagogia nociva II
Conseqüentemente, perdem-se oportunidades de modificar a base da práxis educativa e de relações que sabemos e reconhecemos serem insuficientes para o mundo de hoje e de amanhã. A idéia de recomendar e oferecer ao professor uma possibilidade de preparação psíquica e de crescimento pessoal responde à necessidade de romper tais esquemas educativos. Há formns, alternativas de educar que permitem resultados muito mais efetivos, satisfatórios e enriquecedores para alunos e educadores. Dar-nos conta disso e assumir o compromisso de implementá-las em nossa vida significa amadurecer como pessoas, entrar numa dinâmica de "adulto". Ainda que se conservem aspectos de "criança" e de "pai", serão do tipo aceitável ou "ok", segundo os esquemas da Análise Transacional de Eric Berne, como já vimos. É importante que o professor verifique e reconheça as conseqüências que a pedagogia nociva teve sobre ele.
É preciso refletir sobre quais poderiam ter sido as estratégias educativas mais apropriadas em sua própria formação pessoal e motivar-se a defini-las e utilizá-las com seus alunos. - Deve imaginar ou visualizar quais poderiam ter sido suas próprias reações psíquicas diante das diferentes formas de ver, tratar e relacionar-se de seus educadores. - O que passou passou, e a única forma de mudar o passado é aproveitando-o positiva e construtivamente. A idéia não é nos machucar, mas nos motivar a melhorar o que existe em nós e nos demais. Quando o professor se dá conta disso, toda sua personalidade se abre. Aceita que ele mesmo, aqui e agora, em sua atuação pessoal e educativa, pode sair da rotina e dispor-se a buscar e encontrar formas alternativas e mais efetivas de viver. Sente-se melhor consigo mesmo, elevando sua auto-estima, realçando seu valor, importância, assim como sua responsabilidade como pessoa como docente no desenvolvimento de nossa sociedade. Estará, então, em condições de aceitar a possibilidade de uma atuação em classe aberta e reforçadora de situações de criatividade, efetividade, liberdade, amizade, afetividade, aprendizagem, compreensão, empatia. Assume essas qualidades como próprias do ser humano realizador e como modelo para sua própria vida e realização. Praticando em aula, o professor estará reforçando isso para ele mesmo, com resultados satisfatórios multiplicadores.
Texto retirado das páginas 1110, 111 e 112 do livro A auto Estima do Professor: Manual de reflexão e ação educativa das Edições Loyola.
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 22h40
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Pedagogia nociva I
O presente texto nos fala da necessidade de o professor ter de assumir a consciência de que ele tem uma tendência natural a ensinar do mesmo modo como ensinou. Se enquanto professores conseguirmos dar esse “pulo” estaremos a um próximo da mudança que todos desejamos.
Pedagogia nociva
Em estudos dirigidos à busca de formas alternativas de educação familiar e escolar, foi analisada, de forma crítico-construtiva, a educação tradicional do ponto de vista da formação da personalidade da criança. Primeiramente os pais, depois os professores, projetam na criança seus condicionamentos psíquicos positivos e negativos, suas limitações, suas qualidades, defeitos e virtudes. Se o lado negativo prevalecer e o educador tiver uma visão da vida insuficiente, restritiva e limitadora das relações e da edu. cação, as crianças não terão espaço para desenvolver sua maneira natural de ser e se transformarão em atrizes com papéis vivenciaisi que não os seus. Desenvolverão, assim, atitudes e aptidões insuIkil'ntes e restritivas, aliadas à carência de espontaneidade, criatividade, imaginação, originalidade etc. Não importa o nível social ou intelectual de cada um; de alguma for,a todos fomos educados para não ser nós mesmos, muito poucos escapam dessa condição. Daí resulta a formação e uti1ização dos sentimentos de vergonha e de culpa, geração após geração, que permitem manipular o comportamento da criança e moldá-Ia para ser como a sociedade, os pais e a escola querem que seja. Quando o comportamento da criança não obedece aos ditames ou desejos dos educadores, tenta-se descobrir uma maneira que a faça sentir-se suficientemente mal, levando-a a cumprir o que se espera dela. O castigo, por exemplo, considerado um importante elemento na motivação para a aprendizagem e a obediência, é uma fonte de culpa e vergonha para a criança. Quando o sentimento de culpa e vergonha é extremo, ocorre que a própria criança transforma-se em elemento de vergonha, pelo simples fato de existir. Formam-se, assim, os sentimentos de inferioridade, insegurança, solidão, desmotivação e incompetência, os quais, em diferentes medidas e muitas vezes sem que se dêconta, são vividos pela maioria das pessoas. A pedagogia nociva tem várias formas de manifestação. É freqüente, por exemplo, a prática educativa de dirigir a atenção daquilo que, segundo nosso critério, a criança faz malfeito ou incorretamente. Para corrigi-Ia, procuram-se fórmulas que a motivum e a levem a superar suas deficiências e modificar sua conduta, baseadas na crítica ou nas expectativas declaradas de que dedique mais atenção ao tema. Dessa forma, acabam-se reforçando os sentimentos de incapacidade da criança. Por outro lado, não é costume reforçar o que a criança faz bem feito, pois é como se espera que faça. Não é elogiada, premiada ou motivada, para que perceba seu próprio valor e importância, assuma a responsabilidade pelo que fez e continue investindo na sua auto-superação e aprendizagem contínuas. A pedagogia nociva ocorre ainda no contexto escolar, assumida pelo professor que também sofreu suas influências e, em geral, desconhece formas mais efetivas de educar e atuar. Quando as, conhece, desconfia delas por sua qualidade inovadora e não as aplica. Outras vezes, aplica-as, mas sem antes testar em sua forma de ser, aprender e relacionar-se. A criança já chega à escola condicionada pela pedagogia nociva familiar e ali permanece, muitas vezes, sob diretrizes semelhantes que não lhe permitem sair de sua própria dinâmica condicionada. O professor, por outro lado, tem na base de sua personalidade uma "criança interior", que continua respondendo à prática, educativa vivida na infância. Não percebe que pode procurar formas alternativas de atuação docente. Estas não só existem, como, comprovadamente, funcionam. No entanto, para aplicá-las é preciso conhecê-las, reconhecê-las e acreditar que não vão comprometer o sistema, mas que se o fizessem não seria nada mal; aprendem-se alternativas, e isso é positivo. Ainda que reconhecidamente ruim, o sistema educativo atual I funciona, e diz-se em educação que não se pode correr riscos, pois isso seria muito perigoso.
Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 22h40
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