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As novas Diretrizes e as possibilidades de uma outra formação de professores

Para formação de um novo perfil docente, não é suficiente o domínio do conteúdo, pois o exercício da docência exige outros conhecimentos, outras habilidades e competências e a compreensão de diferentes dimensões da profissão.

Leia aqui o texto "As novas Diretrizes e as possibilidades de uma outra formação de professores"

Artigo disponibilizado por João José Saraiva da Fonseca



Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 20h23
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Gestão e Política da Educação

Esta escola deve ter um projeto político-pedagógico que contemple a questão relacionada aos objetivos, aos conteúdos, à metodologia e ao próprio sistema de avaliação. Nesse projeto - implícita e explicitamente deve estar refletida a questão da formação do sujeito e, portanto, como a Educação contempla a formação no sentido integral, na própria construção do SER.

Dois dados são fundamentais nesse projeto:

- a contextualização - os dados, os sentimentos e valores devem partir do contexto em que eles ocorrem, possibilitando que os mesmos sejam mais próximos da realidade dos alunos e da própria experiência que eles possuem sobre alguns fatos e situações exemplificados;

- a interdisciplinaridade - fala-se da integração dos saberes, não numa justaposição desses saberes dispostos numa determinada ordem ou disciplina e sim num entrecruzamento desses saberes através de eixos condutores do conhecimento a ser estudado.

A gestão de uma escola, hoje, deve atender aos

seguintes princípios voltados para educação:

- princípio da compreensão - a Educação precisa ser compreendida nas interfaces que ela mantém

com o sistema social. A Educação tem uma ordem, uma estrutura, uma organização que envolve tanto a questão da autonomia, como da transformação;

- princípio da heterogeneidade - a Educação não tem como objetivo a uniformização de ordens, normas e critérios, mas dá uma unidade à heterogeneidade de sujeitos que estão comprometidos com o objetivo de (in)formação; - princípio da cartografia - a Educação se dá em diferentes frentes e com diferentes entradas

; há que se fazer uma nova cartografia de uma nova Educação;

- princípio da cidadania - a Educação vai em busca de um cidadão que ao mesmo tempo que tem que ter consciência crítica do seu papel na sociedade, deve possuir o compromisso cidadão de participar com o outro na transformação de um mundo mais justo e mais humano;

- princípio da ecologia - a Educação deve estar comprometida com o homem planetário, isto é, o homem que se faz pleno não só para si mas para o mundo. Aqui tanto há que se pensar na ecologia em termos daTerra, mas também da ecologia em termos do humano;

- princípio da organização - a Educação que se efetiva na escola tem uma dinâmica própria, que a diferencia da Educação exercida em qualquer outro estabelecimento ou Instituição. Ela forma ao mesmo tempo que informa, e deve preocupar-se com todos que atuam na escola de forma conjunta, integrada, e não individualista e fragmentada.

Fonte: Artigo "Gestão e Política da Educação" publicado na Revista da ANPAE (Associação Nacional de Política e Administração da Educação) número 2 - setembro a dezambro de 2004 (página 12). O texto foi adaptado para fins didáticos por João José Saraiva da Fonseca



Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 19h40
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Aspectos da Identidade do Professor nas Sociedades Modernas

 

A identidade do professor nas sociedades complexas está inserida em uma perspectiva mais ampla de conceituação dos sujeitos sócio-culturais. Nessas sociedades, os sujeitos se deparam com experiências vivenciadas, como, por exemplo, o processo de desterritorialização vindo na esteira da mundialização da cultura, na qual as fronteiras entre o local e o global se rompem.

 

Nota-se, ainda, concomitante, a compressão dos espaços e tempos nessa sociedade, alterando sobremaneira as formas de vivenciar tais dimensões. A velocidade da informação cria possibilidades de jogos de papéis e de identidades. Desconfiguram-se os limites entre as normas, o conformismo e as transgressões sociais. O ser "normal" ou "desviante" ganha um conceito instável e dinâmico, pela fragmentação dos significados.

 

Neste ambiente, o sujeito sócio-cultural vivencia diversas dimensões, como a corporeidade, que o capacita a estar no mundo, percebê-lo, experimentá-lo, constituindo-se historicamente. Portadores da linguagem que os faculta dar significado ao cosmos e comunicar estes símbolos, são seres concretos, plurais e de ação, construtores da ética numa aprendizagem com o outro.

 

O professor, como sujeito sócio-cultural, vivencia dimensões específicas, por exemplo: a dimensão política e relacional com os alunos, mediadas pelo conhecimento. São relações de troca nas quais há conflito e tensão e, também, tempos de intimidade. A imprevisibilidade desta relação é uma forte marca de envolvimento humano e de afetividade, construtivas das relações pedagógicas que se processam.

 

Por trabalhar na escola, o professor lida com o imaginário e as expectativas sociais próprias da educação, vista ainda como forma de ascensão social por diversas classes. Este caráter dá uma visibilidade à função social do professor, tornando-a singular.

 

O tempo fragmentado entre uma ou mais instituições, bem como os trabalhos realizados fora do espaço institucional, fazem com que este profissional veja extrapolados os limites entre a vida profissional e a vida pessoal.

 

O entrelaçamento entre as dimensões específicas do sujeito professor com as características dos sujeitos culturais nas sociedades complexas faz com que o papel desempenhado por esse profissional seja carregado de um significado social distinto. O professor, como depositário dos saberes construídos historicamente, tem a responsabilidade no presente, não apenas de reproduzi-los, mas construir junto com seus alunos uma visão mais integral e integradora, dos saberes, espaços e tempos que, na atualidade, se encontram fragmentados.

 

  

Retirado da página: http://www.aespi.br/espaco%20aluno/artigo1.htm e adaptado para fins didáticos por João José Saraiva da Fonseca



Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 18h50
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Porque nos "dão" educação

 

No contexto de uma reflexão sobre educação devemos sempre por algumas questões relativas à educação que nos dão e ao tipo de ensino a que somos sujeitos. Porque nos dão educação? A educação é apenas um ganho pessoal e individual? A educação é um privilégio individual ou um direito de todos? Quem e com que critérios escolhe aquilo que aprendemos ao longo do nosso percurso escolar? Para podermos chegar a algumas respostas devemos procurar saber o que é a educação e qual a sua função social. O que é a educação? A educação é um processo de integração de um indivíduo, que implica uma assimilação e uma acomodação de algumas regras e valores com o objetivo de desenvolver , no estudante, um certo número de estados físicos, intelectuais e morais, ou seja, conduzir, guiar, formar, mas também alimentar (intelectualmente) possibilitando a ultrapassagem de fronteiras. Assim podemos ser levados a pensar que o estudante é o único a beneficiar dos conhecimentos e valores que adquire, crescendo, tornando-se mais consciente, crítico, apto e ao mesmo tempo adquirindo uma maior facilidade na escolha da sua posição e função na sociedade como trabalhador. No entanto, este é um raciocínio bastante ingênuo pois a educação que os cidadãos possuem reflete, representa e forma a riqueza econômica, social, política e intelectual de um povo e de uma nação. Analisemos então a função social da educação. Nas sociedades industriais desenvolvidas a educação desempenha três funções principais: Política, Econômica e de Seleção Social. A função política consiste em fornecer chefes políticos a todos os níveis da sociedade democrática e também colaborar na manutenção dos sistema político vigente. Esta função, dita - ou lida - de outra forma, consiste em perpetuar o sistema político vigente através do estímulo à assimilação das regras e valores de uma sociedade e sistema político ditos democráticos, sem incentivar um pensamento livre que leve à obtenção de novas respostas para os graves problemas que enfrentamos como sociedade e como espécie dominante na Terra. Mais promíscua e decadente ainda é a função que a educação pode ter na reprodução dos estratos e classes sociais, na perpetuação da hierarquia presente e de uma sociedade desigual, competitiva, desequilibrada e doentia. A função econômica deriva da necessidade de forças de trabalho com a quantidade e qualidade de educação adequadas às circunstâncias técnicas do momento. Desta forma um sistema educativo eficiente fornece ao mercado de trabalho profissionais na quantidade e grau de qualificação adequados às necessidades do país, possibilitando assim emprego para todos, bem como uma sociedade ativa, dinâmica e sem pobreza. Esta função é, por vezes, associada à função de seleção social também inerente à educação nas sociedades industriais desenvolvidas. Na função de seleção social os mais aptos são eleitos entre a população no seu todo no decurso do processo educativo. Logo à partida podemos questionar: serão selecionados os mais capazes? Claramente seria fácil discordar do método de seleção utilizado argumentando. . . No entanto, mesmo que passemos à frente esta pergunta, uma seleção social leva obrigatoriamente a que grande parte das capacidades existentes não seja plenamente aproveitada. Isto simplesmente porque a segregação a nível primário e secundário no decurso do percurso escolar impede o desenvolvimento das capacidades do estudante conduzindo a fracas aspirações. Neste ponto, devemos depreender então que o objetivo não deve limitar-se à garantia dum acesso igual (que não existe), mas a um aproveitamento igual das experiências educativas. É nos agora perceptível como a educação que recebemos não nos serve apenas a nós, como indivíduos, mas também a toda a sociedade na sua funcionalidade política e econômica. E é por aqui que percebemos que não nos devem dar educação só por termos direito a isso como cidadãos, mas porque essa educação é necessária à sociedade, à sua manutenção e evolução. Então temos, por princípio, direito a uma educação gratuita, de qualidade, com iguais condições de acesso e com igual aproveitamento das experiências educativas. Temos que lutar por isto! E temos também que continuar a refletir de forma a melhor percebermos e interpretarmos aquilo que fazem e não fazem por nós, estudantes.

André Vizinho

 

Original na página

http://students.fct.unl.pt/bi/bi103/biol-05.html

 

Adaptado para fins didáticos por João José Saraiva da Fonseca

 



Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 18h34
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